Sabores Serranos à Varanda da Estrela

O restaurante Varanda da Estrela, nas Penhas da Saúde, em plena Serra da Estrela, próximo da Torre, assemelha-se a um tradicional abrigo de montanha. Logo que passamos a rústica porta de madeira sentimos o ambiente caloroso e acolhedor a contrastar com o frio da Serra que se sente lá fora. Com uma decoração típica adornada com memórias do pastoreio da serra, como as cabeças de animais feitas de burel – o tecido tradicional da região -, a sala ampla com janelas para o vale apresenta-se com mesas e bancos de correr que nos aconchega e nos proporciona um ambiente familiar.

A carta também vem numa capa de burel e está cheia de sugestões para confortar os viajantes e caminhantes da Serra da Estrela com uma variada panóplia de sabores serranos e muitos vinhos da região.

O almoço já tardio, num domingo invernoso (com marcação prévia), começou com uma tábua com queijo de ovelha e presunto acompanhado por pão que fez as delícias dos miúdos e dos graúdos.

A especialidade é, sem dúvida, o arroz de zimbro, designado por arroz do Ti Manel (12,50€), que é servido num pote de barro, chega à mesa malandrinho e ainda a ferver, leva enchidos regionais e cogumelos silvestres com bagas de zimbro, uma planta endógena.

Outras opções igualmente muito apreciadas são o javali Guarnecido de Castanhas e Cogumelos (13€); borreguinho grelhado na brasa (15€); pernil de leitão confitado (15€)  e cabritinho ou aba de vitela, ambos assados no forno. Nós optámos pelo javali guarnecido de castanhas e cogumelos selvagens (13€) que tinha um sabor soberbo, mesmo para quem não aprecia caça como eu, e não nos arrependemos, o sabor a canela aromatizava de forma soberana o prato. Foi uma agradável surpresa! Os pratos foram muito bem acompanhados por vinho da região – Quinta dos Currais: resultado particularmente harmonioso.

Entre outros pratos da carta há uma iguaria que não conhecia, mas que irá ficar para uma próxima visita: os brulhões. Dizem que é um prato tradicional da gastronomia beirã, parecido ao maranho, mas é confecionado mais em ocasiões festivas, consiste no aproveitamento do estômago da cabra (são feitos pequenos sacos, recheados com arroz, carne de porco, chouriça e aromatizados com serpão, uma erva aromática aparentada com o tomilho).

No final, provámos a Mousse de Chocolate After Eight (3€), mas há outras opções mais tradicionais como o Requeijão c/ Doce de Abóbora, Almofadinha Serrana, Queijo de Ovelha c/ Marmelada ou as tradicionais Papas de Carolo. A carta também inclui Menu Infantil e pratos vegetarianos.

Com um preço médio por pessoa de cerca de 20€, a carta do Restaurante Varanda da Estrela está cheia de ótimas sugestões de conforto e de bons sabores da Serra.

Sabor e arte no Don Garfo

Discreto, mas um dos melhores restaurantes do distrito da Guarda. O Don Garfo abriu há uma dúzia de anos, nas proximidades da central de camionagem da Guarda, e afirmou-se como um dos locais mais distintos da cidade, tanto que é um dos poucos restaurantes indicados pelo Guia Michelin na Beira Interior.

Com uma decoração moderna e ambiente tranquilo e exclusivo, este restaurante tem uma ementa que combina tradição e modernidade, sabores regionais com a inovação da “nova cozinha”, onde a chefe Dª Olimpia vai exibindo de forma singela as suas criações. A morcela tostada com puré de maçã é uma das entradas obrigatórias, remetendo para o mais endógeno da gastronomia regional, aqui com uma apresentação e um paladar singular, mas é o queijo de cabra com mel e nozes ou as vieiras frescas sobre cogumelos que diferenciam as entradas do Don Garfo.

Dos muitos pratos a eleger, por entre sabores e tradição, o folhado de aves com castanhas e cogumelos é incontornável (16.90€). Com esmerada apresentação, acompanhado de alface, é um prato cheio de sabor e está entre as preferências dos clientes mais conhecedores da casa. Mas, se quiser fugir às escolhas de ingredientes regionais, pode deliciar-se com o sabor e arte do atum fresco com legumes salteados e molho de miso (17,90€) – uma delícia.

A sobremesa pode variar entre o leite creme torrado e a panacota de chocolate branco com frutos vermelhos, ou arriscar os sabores inventados por Dª Olímpia e atrever-se a concluir uma refeição superior com a panacota de café, com textura leve e sabor voluptuoso.

Com um preço médio por pessoa de cerca de 25€, o Don Garfo tem uma garrafeira interessante e variada e pode optar por vinho a copo. E se o valor da refeição está um pouco acima da média para a Guarda, a boa comida, o glamour e o conforto justificam-no.

Aquariu’s: onde a arte e o vinho se cruzam com a boa comida

Há 26 anos que o restaurante Aquariu’s se afirma como uma das maiores referências da restauração da região das Beiras e Serra da Estrela. Na cidade da Guarda, recomendado pelo Guia Michelin pelo terceiro ano consecutivo, o Aquariu’s tem uma cozinha moderna e uma oferta diversificada.  Quando se entra no restaurante, o olhar fixa-se imediatamente no enorme acervo de garrafas e rótulos de uma riquíssima garrafeira, mas também nas esculturas e pinturas que recheiam a “wine gallery”. Nesta primeira sala podemos fazer uma prova de vinhos ou apenas comprar uma garrafa para levar para casa. Há vinhos de todas as regiões demarcadas, para todos os gostos e palatos, e para todos os bolsos. O difícil será eleger!

Os aquários com os seus peixes coloridos, de onde vem o nome do prestigiado restaurante, são apenas uma das caraterísticas decorativas de uma casa que se reinventa constantemente.

À mesa, e depois de apreciarmos pinturas de artistas plásticos que aqui expõem habitualmente as suas obras, começa a viagem gastronómica harmonizada com vinhos da região, de preferência da Beira Interior – como poucos, neste restaurante a carta de vinhos é imensa e inclui a maioria dos produtores da região. Por isso, de entrada, iniciámos a velada com um vinho branco Vale de Esgueva, da Vermiosa (Figueira de Castelo Rodrigo), bem fresco e frutado, que acompanhou muito bem as entradas variadas (da pasta de atum às bolinhas de farinheira, entre outras iguarias).

Conhecido pelo peixe fresco, não quisemos deixar a fama e o proveito por mãos alheias e elegemos uma Corvina do Atlântico com açorda de peixes (14,50€), que estava confecionada de forma singela com sabor a mar. Mas afinal de contas a carne também é “rei e senhor” deste Aquariu´s. Da ementa já constaram o bisonte e até crocodilo, mas há mesa degustámos o novo Taco de Avestruz com batata confitada, ragu de cogumelos e molho de laranja com amêndoa (15,90€), numa perfeita sinfonia de sabores devidamente regado com o discreto, mas bem estruturado, tinto Monte Barbo Reserva 2013 – uma agradável surpresa do sul da Beira Interior. Outra das escolhas garantidas do cardápio são o Tornedó com Queijo da Serra (15,90€) ou os Nacos de Vitela Jarmelista (13,90€), pratos com ingredientes locais e que afirmam sobremaneira a gastronomia regional.

Depois, recomendamos a Pera cozida com Moscatel de Favaios com gelado de limão, numa telha de amêndoa. E prove o Queijo da Quinta do Pisão, de Santana d’Azinha, com Marmelada. Os ingredientes para mais de um quarto de século de afirmação e sucesso deste restaurante passam pela mestria de Jorge Silva, o gerente, na escolha dos melhores produtos e na constante preocupação em promover o equilíbrio entre a tradição gastronómica e a cozinha moderna, combinados com um serviço elegante que permitem a conclusão de que no Aquariu’s “bebe-se bem e come-se ainda melhor!”.

Por Entre Portas de modernidade e boa comida

Um restaurante tem de ser, em primeiro lugar a comida! Mas um restaurante pode ser boa comida e ser muito mais do que isso: pode ser gastronomia, sabores, ambiente, simpatia no atendimento e arquitetura – funcional, estética e bom gosto. A simbiose entre o espaço e a comida é o melhor de dois mundos, o mundo da arquitetura e o mundo da gastronomia, do saber servir, da satisfação do cliente. Nem sempre é possível, e mesmo assim um restaurante «é comida», porque degustar uma boa refeição, ter o prazer de comer, é a missão de uma boa cozinha e a ambição de qualquer freguês.

Restaurante Entre Portas, Pinhel

É esta a sensação que se vive em Pinhel, no restaurante Entre Portas. Porque «os olhos também comem» e a primeira impressão conta. E conta muito! No centro da cidade, entre o Município e o Posto de Turismo (dois edifícios exemplarmente recuperados e devidamente enquadrados), paredes meias com o Museu Municipal, junto à “Casa Grande” (que já foi Paços de Concelho e espera “um novo futuro”), o Restaurante Entre Portas abriu há dois anos para encher o palato dos amantes da boa gastronomia e da moderna restauração na cidade Falcão. Numa casa reconstruída a pensar nas pessoas, com muito granito e madeira, mas também com muita luz natural e janelas com vistas aprazíveis sobre a cidade.


Sashimi de Atum com crosta de amêndoa e sésamo

No Entre Portas há espaço para sentir a cidade, para respirar a tradição, mas essencialmente para sentir a modernidade e a urbanidade na Beira Alta. As Bruschetas de queijo da serra salteado de cogumelos e mel Encostas do Côa (7,5€) ou o Ovo escalfado com molho de cogumelos selvagens e foie gras e estaladiço de pão de centeio (7€) são as entradas recomendadas. Ou a sopa, um Creme de abóbora com laranja, morcela de Pinhel e amêndoa (3,8€). Entre os pratos de peixe, recomenda-se o Bacalhau à Lagareiro (15,5€) ou o Sashimi de Atum com crosta de amêndoa e sésamo (15€), uma agradável surpresa. Nos pratos de carne, a Posta de Vitela sobre salteado de grelos e batata de forno (16€) ou a Bochecha de Porco confitada e esmagada de favas com alheira de caça (13,5€) estão entre os pratos mais pedidos, mas também se recomenda os Secretos com batata doce e puré de maçã (a maçã de Pinhel é especialmente fresca) (12,5€). Os vegetarianos não foram esquecidos no Entre Portas e o Risotto de cogumelos é uma boa opção. Os preços praticados estão num patamar médio, o normal para a categoria, ainda que o preço do menu infantil (9€) esteja acima do habitual.


Celebração 65º da Adega de Pinhel,

Para regar a boa comida o restaurante tem uma boa carta de vinhos, com destaque para os vinhos da Beira Interior, podendo optar-se por um copo de Celebração 65º, da Adega de Pinhel, porventura a melhor relação preço-qualidade dos vinhos portugueses, ou aventurar-se por entre o Aforista Reserva 2013 ou o Casas Altas 2016 – três tintos que combinam muito bem com os pratos referidos e que podem fechar um bom repasto fora de portas, no Entre Portas de Pinhel.