Onde a gastronomia se cruza com a arte e o encanto dos bons vinhos

Há lugares que nos surpreendem não só pelo que servem à mesa, mas pela experiência completa que nos oferecem — e o Aquariu’s, na Guarda, é exatamente isso: uma pequena jóia onde a gastronomia se cruza com a arte e o encanto dos bons vinhos.
Ao entrar, sentimos de imediato que não estamos apenas num restaurante. As paredes contam histórias através de obras de arte cuidadosamente selecionadas, criando um ambiente inspirador e acolhedor, perfeito para quem aprecia beleza em todas as suas formas. É um espaço onde o olhar também saboreia.
A experiência continua com uma seleção de vinhos que é, por si só, uma viagem por Portugal. De norte a sul, cada garrafa parece escolhida com carinho, convidando-nos a descobrir novos aromas, novas regiões e novas paixões. Para os amantes de vinho — e até para os curiosos — é impossível não se deixar encantar.
E depois, claro, há a comida. Pratos preparados com dedicação, onde o sabor caseiro se encontra com um toque de criatividade, criando momentos de verdadeiro conforto e prazer. Cada refeição no Aquariu’s é uma celebração — da boa comida, da arte e da vida.


Começámos a nossa experiência com uma mesa bem composta de entradas. Entre cogumelos recheados, uma delicada pasta de atum e irresistíveis quadradinhos de quiche, o difícil é escolher o favorito. Cada pequeno prato trazia conforto e aquele toque caseiro que nos faz sentir bem-vindos.
Para os mais novos, a escolha foi simples: um clássico bitoque de vitela (14,90€). E que escolha acertada! A carne vinha tenra e suculenta, acompanhada por umas batatas fritas finíssimas, douradas e crocantes, arroz soltinho e uma salada fresca — um prato que conquista facilmente qualquer um, pequenos ou graúdos.
Decidimos começar pelo mar, com uma generosa posta de corvina do Atlântico acompanhada por uma reconfortante açorda de peixe (19,90€). Um prato cheio de sabor, onde cada garfada parecia abraçar-nos com aquele toque tradicional que nunca falha.


Para terminar, rendemo-nos à carne com uns deliciosos Miminhos de vitela com redução de porto velho, cogumelos, batata pont-neuf e migas (21,00€). Um prato rico, equilibrado e cheio de personalidade — daqueles que pedem para ser saboreados sem pressa.
A acompanhar, fomos por um clássico seguro do douro: o vinho Diálogo da Niepoort, que nunca desilude e harmonizou na perfeição com toda a refeição.


No final, já não houve espaço para sobremesas… mas ficou, sem dúvida, a vontade de voltar — porque há experiências que merecem ser repetidas. Mais do que um restaurante, o Aquariu’s é um espaço para parar, respirar e apreciar. Um lugar onde cada detalhe conta e onde apetece sempre voltar.

Há 10 novos restaurantes em Portugal com uma Estrela Michelin

A Gala Michelin 2026 voltou a trazer novidades para a gastronomia portuguesa. Apesar de não ter surgido nenhum novo restaurante com três estrelas, o país ganhou 10 novos restaurantes com uma estrela Michelin, vários deles no Porto, reforçando o protagonismo da cidade na alta cozinha nacional.

A gala decorreu no hotel Savoy Palace, na Madeira, reunindo chefs, convidados e profissionais do setor para celebrar a gastronomia nacional. A condução da cerimónia ficou a cargo da atriz Daniela Ruah, que apresentou o evento ao longo da noite.

Entre os momentos de destaque esteve a distinção atribuída ao chef Francisco Quintas, que recebeu o prémio Jovem Chef Michelin. Já o chef Rui Paula foi um dos grandes protagonistas da noite, celebrando a nova estrela Michelin conquistada pelo restaurante DOP, no Porto.

Novos restaurantes com 1 Estrela Michelin (2026)

A Cozinha do Paço — Évora
Chef: Afonso Dantas
Localização: Évora

Cozinha contemporânea inspirada na tradição alentejana, com forte ligação ao produto regional.

Alameda — Faro

Chef: Rui Sequeira
Localização: Faro
Gastronomia criativa que valoriza ingredientes do Algarve com técnicas modernas.

dop — Porto

Chefs: Rui Paula e Sandro Teixeira
Localização: Porto
Um clássico contemporâneo da cidade, focado na cozinha portuguesa reinterpretada.

Éon — Porto

Chef: Tiago Bonito
Localização: Porto
Menu degustação criativo e técnico, com forte identidade contemporânea.

Gastro by Elemento — Porto

Chef: Ricardo Dias Febeira
Localização: Porto
Evolução gastronómica do conceito Elemento, focado em criatividade e produto.

In Diferente — Porto

Chef: Angélica Salvador
Localização: Porto
Cozinha autoral com forte personalidade e menus experimentais.

Kappo — Cascais

Chef: Tiago Penão
Localização: Cascais
Restaurante japonês contemporâneo com forte influência do estilo kappo.

Largo do Paço — Amarante

Chef: Francisco Quintas
Localização: Amarante
Além da estrela, o chef recebeu o Prémio Jovem Chef Michelin 2026.

Mapa — Montemor-o-Novo

Chef: David Jesus
Localização: Montemor-o-Novo
Cozinha contemporânea fortemente ligada ao território alentejano.

Schistó — Peso da Régua

Chefs: Vítor Matos e Vítor Gomes
Localização: Peso da Régua
Gastronomia contemporânea inspirada no Douro e nos produtos da região.

Alma Gaúcha – Uma paragem obrigatória para os amantes de carne na Guarda

Deambulando pela cidade da Guarda, decidimos experimentar o restaurante Alma Gaúcha, um espaço já conhecido entre os apreciadores de boa carne na brasa. Para começar, foi-nos servida a tradicional entrada de pão e azeitonas (5,00€). Reparámos que noutras mesas também eram servidos grão e feijão-frade, que não chegaram à nossa mesa — possivelmente por esquecimento. Ainda assim, foi um início simples para aquilo que viria a seguir. Sendo um restaurante conhecido pela qualidade da sua carne, seguimos a sugestão do Chef e optámos por partilhar um Costeletão de carne maturada (38,50€). E que excelente escolha fizemos! A carne chegou à mesa acompanhada por uma pedra quente, permitindo terminar o ponto da carne ao nosso gosto. Podíamos ainda polvilhar com sal conforme a preferência. O resultado foi uma carne extremamente suculenta, saborosa e cheia de carácter — uma experiência que vale mesmo a pena repetir. Foi acompanhada por batata frita, arroz e feijão preto.

Numa próxima visita iremos experimentar o Bacalhau à Alma (24,50€), que vimos passar para outras mesas e tinha um aspeto simplesmente irresistível (nomeadamente para a messa de espanhóis que, como sempre, vêm degustar o nosso bacalhau). Outro ponto muito positivo da experiência foi o atendimento. O Paulo, que nos acompanhou durante a refeição, foi desde o primeiro momento muito atencioso, simpático e sempre disponível, mesmo com a sala cheia e num ambiente bastante movimentado. Quando chegou a carne, pedimos uma sugestão de vinho e ele recomendou um vinho tinto da região: D. Manuel I, da Adega Cooperativa de Pinhel. A escolha, despretensiosa, revelou-se perfeita, harmonizando na perfeição com o sabor intenso e suculento do costeletão.

Já não “conseguimos” provar as sobremesas, mas a carta incluía várias opções tentadoras, desde o doce da casa ao clássico bolo de bolacha, entre outras sugestões. Para quem procura uma refeição mais rápida durante a semana, o restaurante disponibiliza também um “Menu Executivo”, que inclui pão, azeitonas, sopa, prato principal (carne ou peixe) e sobremesa do dia — sendo que a bebida não está incluída. O Alma Gaúcha encontra-se encerrado à segunda-feira, por isso convém planear a visita com antecedência. Sem dúvida, um restaurante a ter em conta na Guarda — especialmente para quem aprecia boa carne e sabores autênticos.

Guia MICHELIN Portugal 2026: novas estrelas e um cenário gastronómico emergente

O Guia MICHELIN acaba de apresentar a sua seleção de restaurantes para Portugal em 2026, numa cerimónia realizada no Savoy Palace, no Funchal (Madeira) — hotel que, aliás, recebeu também uma Chave MICHELIN, distinção dedicada à hotelaria de excelência.
A nova edição confirma aquilo que muitos já sentem à mesa: Portugal continua a afirmar-se como um destino gastronómico de referência, com uma oferta cada vez mais diversificada, criativa e fiel às suas raízes.

Uma seleção que continua a crescer
No total, o Guia MICHELIN Portugal 2026 destaca 210 restaurantes, refletindo a vitalidade do panorama culinário nacional. Entre as principais novidades desta edição encontram-se:
1 novo restaurante com duas Estrelas MICHELIN
10 novas casas distinguidas com uma Estrela
2 novos Bib Gourmand
1 nova Estrela Verde
34 restaurantes que entram pela primeira vez como Recomendados
Estes números mostram uma realidade clara: a gastronomia portuguesa continua em expansão e a elevar os seus padrões de qualidade ano após ano.

Tradição e inovação lado a lado
Segundo os inspetores do guia, que ao longo do ano visitaram restaurantes por todo o país, o panorama culinário português caracteriza-se por um equilíbrio harmonioso entre modernidade e tradição.
Por um lado, multiplicam-se as propostas contemporâneas e inovadoras, muitas vezes com técnicas modernas e abordagens criativas. Por outro, continuam a destacar-se restaurantes que celebram receitas tradicionais, sempre com produto local de grande qualidade como ponto de partida.
Outro fenómeno interessante é o surgimento de restaurantes mais informais liderados por chefs consagrados, bem como o investimento crescente do setor hoteleiro na gastronomia como elemento central da experiência do cliente.

Porto em destaque na edição de 2026

Embora Lisboa e Porto continuem a ser os grandes polos gastronómicos do país, a cidade do Porto merece especial destaque nesta edição. A chamada Invicta vê quatro restaurantes receberem uma Estrela MICHELIN pela primeira vez:
dop
Éon
Gastro by Elemento
In Diferente
Esta distinção reforça o estatuto do Porto como um destino gastronómico internacional de primeira linha, cada vez mais procurado por viajantes que viajam também com a mesa em mente.

O interior ganha protagonismo
Outro fenómeno observado pelo Guia MICHELIN é o crescente interesse do turismo internacional por regiões menos exploradas do país.
Neste contexto, o Alentejo surge como um território particularmente relevante, graças à sua forte ligação ao produto local, às tradições culinárias e à autenticidade das experiências gastronómicas que oferece.
Cada vez mais, quem visita Portugal procura descobrir sabores ligados ao território, muitas vezes longe dos grandes centros urbanos.

Em localidades de menor dimensão existem projetos que souberam transformar o seu isolamento em identidade — integrando o território, a paisagem e os produtores locais na experiência. Exemplos? A Cozinha do Paço, (Évora) e MAPA (Montemor-o-Novo), ambos rodeados pelas vinhas do Alentejo, e Schistó, em Peso da Régua, junto ao rio, no coração do vale do Douro.

Os números do Guia MICHELIN Portugal 2026
A nova seleção apresenta o seguinte panorama:
⭐ 2 Estrelas MICHELIN: 9 restaurantes (1 novidade)
⭐ 1 Estrela MICHELIN: 44 restaurantes (10 novidades)
Bib Gourmand: 26 restaurantes (2 novidades)
🍴 Restaurantes Recomendados: 131 (34 novidades)
🌱 Estrela Verde MICHELIN: 7 restaurantes (1 novidade)

No conjunto, estes números confirmam aquilo que já se sente há vários anos: Portugal vive um momento particularmente vibrante na sua gastronomia, onde tradição, criatividade e sustentabilidade se encontram cada vez mais à mesa.

A Bola Parda da Guarda: Tradição que renasce à mesa

Há sabores que são mais do que doces. São memórias. São lareiras acesas. São mãos enfarinhadas e chá fumegante numa tarde fria da Guarda.

A Bola Parda da Guarda esteve quase em vias de extinção. Durante anos, foi resistindo em cozinhas discretas, graças a quem se recusou a deixar morrer a receita. Felizmente, pouco a pouco, a tradição foi sendo recuperada. Pessoas que guardaram o saber, famílias que mantiveram o ritual e um município que decidiu dar palco a este tesouro gastronómico com o concurso da melhor Bola Parda da Guarda.

Este doce tradicional da região distingue-se pelo uso generoso de azeite, canela e aguardente — uma combinação simples, mas cheia de carácter. Promover a receita tradicional, recuperar saberes ancestrais e dar visibilidade à gastronomia local é, felizmente, uma missão que tem ganho força.

Ao longo do tempo já provámos algumas variações da Bola Parda — da Mena à Ludovina — todas merecedoras de um postal. Mas hoje é dia de falar da Bola Parda do Zé Manel.

Encontrámo-la no passado fim de semana na Feira do Fumeiro, em Trancoso, Entre farinheiras e morcelas, lá estava ela, embrulhada num saco papel, onde se lia “Bola Parda da Guarda”, acompanhada por um pequeno texto reflexivo sobre as suas características e a silhueta da Sé da Guarda. Não resistimos.

Já em casa, abrimos o saco. O aspeto era irrepreensível — cor intensa, textura apelativa — mas o que mais se destacou foi o aroma marcante a aguardente. No primeiro momento de prova, pareceu-nos ousada, talvez até excessiva no teor alcoólico. Mas deixámo-la repousar. E foi aí que aconteceu a magia.

Passadas algumas horas, a Bola revelou-se extraordinária. A aguardente suavizou, os sabores harmonizaram-se, a textura mostrou-se equilibrada e o paladar tornou-se redondo e envolvente. A canela impera, o açúcar está no ponto certo, e cada fatia pede… outra fatia. Ideal para acompanhar um chá numa tarde fria — como manda a tradição egitaniense.

A Bola Parda do Zé Manel foi, sem dúvida, uma surpresa na Feira do Fumeiro de Trancoso, que continua já no próximo fim de semana. Se lá forem, procurem-na. Levem uma para casa. Deixem-na respirar. E depois contem-nos tudo.

Porque há tradições que não podem — mesmo — desaparecer.

Restaurante Aquariu’s: o melhor da região à mesa

A primeira edição do Concurso Beira Interior Gourmet já está a decorrer em 30 restaurantes da região. Fomos à procura e degustar alguns dos pratos a concurso…

O menu a concurso no restaurante Aquariu’s, na Guarda, é composto por uma entrada fresca e colorida: uma “Rosa em presunto”, que sabe lindamente nestas noites cálidas de verão. O aroma doce da meloa e do abacate acompanha as finas fatias de presunto que são aromatizadas por azeite e vinagre balsâmico. O vinho branco “Quinta da Ferradura” combina harmoniosamente com a entrada, um vinho Reserva Fonte Cal, centrado também ele na fruta.

Rosa em presunto

A seguir, o prato principal, Cordeiro braseado com crocante de castanhas e açorda de míscaros e boletos. O prato é majestoso com uma excelente apresentação, à qual ninguém fica indiferente. A presença do alecrim e a intensidade da hortelã domina o acompanhamento dos míscaros e boletos, mas o crocante das castanhas contraria os sabores mais óbvios do cordeiro, que estava no ponto certo! É um prato bastante arrojado e diferente. O vinho tinto “Dois Ponto Cinco Jaen” acompanha o prato principal de forma distinta, neste vinho sentimos o sabor da cereja madura associada às notas florais.

O melhor estava guardado para o fim, a sobremesa: Crocante de amêndoa em creme e gengibre. Diferente e intensa, uma explosão no palato, o crocante do folhado aromatizado pela amêndoa, acompanhado pelos frutos vermelhos, num creme doce polvilhado por canela, de sabor divinal.

Crocante de amêndoa em creme e gengibre

Para concluir, o restaurante Aquariu´s sugere o acompanhamento da sobremesa com o Aforista Late Harvest 2017, um “colheita tardia” de Pinhel. O preço da refeição, por pessoa, é de 25 euros e pode ser saboreado até 10 de agosto.

No Colmeia a tradição ainda é o que era

Quatro meses depois, o Beira Interior Gourmet abriu em grande. Não fosse a pandemia e já conheceríamos os vencedores da primeira edição do concurso gastronómico. Assim, por culpa do novo coronavírus, não pudemos degustar a diversidade gastronómica regional no seu tempo, o Inverno, para sentirmos os sabores no Verão. Até 10 de agosto, 30 restaurantes serão postos à prova, num concurso que junta o vinho e a boa comida.

O restaurante Colmeia, na Guarda, recebeu os primeiros comensais do Beira Interior Gourmet na noite de abertura, no dia 10 de julho. A ministra Ana Abrunhosa ou o presidente do Turismo do Centro, Pedro Machado, depois de abrirem oficialmente o concurso, deliciaram-se num repasto onde a morcela da Guarda com maçã caramelizada foi a entrada óbvia, com uma apresentação elegante e moderna, acompanhada por um Beyra Superior Branco de 2015.

Morcela da Guarda com maçã caramelizada

Ainda a riqueza de paladares da entrada atufava a boca e já o prato eleito por Teresa e Max Gonçalves para este Beira Interior Gourmet se exprimia pelo aroma. O Cabritinho das Terras Altas à Padeiro, no ponto certo, bem tostado, com grelos do Mondego e batatas assadas deliciosas, é um prato de referência regional, acompanhado por um D. Manuel I Reserva do Enólogo 2015 – uma excelente combinação entre o cabrito tenro de Videmonte e o vinho de Pinhel.

A Aletria Dourada foi a sobremesa escolhida para fechar tão rico manjar. Uma sobremesa sublime que não deixa ninguém indiferente pela textura rica e o sabor aveludado. Para concluir, o restaurante Colmeia sugere o acompanhamento da sobremesa com o Aforista Late Harvest 2017, um “colheita tardia” também de Pinhel e que homenageia os melhores paladares da Rota dos Vinhos da Beira Interior. O preço da refeição, por pessoa, é de 25 euros e pode ser saboreado até 10 de agosto.

Sabores Serranos à Varanda da Estrela

O restaurante Varanda da Estrela, nas Penhas da Saúde, em plena Serra da Estrela, próximo da Torre, assemelha-se a um tradicional abrigo de montanha. Logo que passamos a rústica porta de madeira sentimos o ambiente caloroso e acolhedor a contrastar com o frio da Serra que se sente lá fora. Com uma decoração típica adornada com memórias do pastoreio da serra, como as cabeças de animais feitas de burel – o tecido tradicional da região -, a sala ampla com janelas para o vale apresenta-se com mesas e bancos de correr que nos aconchega e nos proporciona um ambiente familiar.

A carta também vem numa capa de burel e está cheia de sugestões para confortar os viajantes e caminhantes da Serra da Estrela com uma variada panóplia de sabores serranos e muitos vinhos da região.

O almoço já tardio, num domingo invernoso (com marcação prévia), começou com uma tábua com queijo de ovelha e presunto acompanhado por pão que fez as delícias dos miúdos e dos graúdos.

A especialidade é, sem dúvida, o arroz de zimbro, designado por arroz do Ti Manel (12,50€), que é servido num pote de barro, chega à mesa malandrinho e ainda a ferver, leva enchidos regionais e cogumelos silvestres com bagas de zimbro, uma planta endógena.

Outras opções igualmente muito apreciadas são o javali Guarnecido de Castanhas e Cogumelos (13€); borreguinho grelhado na brasa (15€); pernil de leitão confitado (15€)  e cabritinho ou aba de vitela, ambos assados no forno. Nós optámos pelo javali guarnecido de castanhas e cogumelos selvagens (13€) que tinha um sabor soberbo, mesmo para quem não aprecia caça como eu, e não nos arrependemos, o sabor a canela aromatizava de forma soberana o prato. Foi uma agradável surpresa! Os pratos foram muito bem acompanhados por vinho da região – Quinta dos Currais: resultado particularmente harmonioso.

Entre outros pratos da carta há uma iguaria que não conhecia, mas que irá ficar para uma próxima visita: os brulhões. Dizem que é um prato tradicional da gastronomia beirã, parecido ao maranho, mas é confecionado mais em ocasiões festivas, consiste no aproveitamento do estômago da cabra (são feitos pequenos sacos, recheados com arroz, carne de porco, chouriça e aromatizados com serpão, uma erva aromática aparentada com o tomilho).

No final, provámos a Mousse de Chocolate After Eight (3€), mas há outras opções mais tradicionais como o Requeijão c/ Doce de Abóbora, Almofadinha Serrana, Queijo de Ovelha c/ Marmelada ou as tradicionais Papas de Carolo. A carta também inclui Menu Infantil e pratos vegetarianos.

Com um preço médio por pessoa de cerca de 20€, a carta do Restaurante Varanda da Estrela está cheia de ótimas sugestões de conforto e de bons sabores da Serra.

Sabor e arte no Don Garfo

Discreto, mas um dos melhores restaurantes do distrito da Guarda. O Don Garfo abriu há uma dúzia de anos, nas proximidades da central de camionagem da Guarda, e afirmou-se como um dos locais mais distintos da cidade, tanto que é um dos poucos restaurantes indicados pelo Guia Michelin na Beira Interior.

Com uma decoração moderna e ambiente tranquilo e exclusivo, este restaurante tem uma ementa que combina tradição e modernidade, sabores regionais com a inovação da “nova cozinha”, onde a chefe Dª Olimpia vai exibindo de forma singela as suas criações. A morcela tostada com puré de maçã é uma das entradas obrigatórias, remetendo para o mais endógeno da gastronomia regional, aqui com uma apresentação e um paladar singular, mas é o queijo de cabra com mel e nozes ou as vieiras frescas sobre cogumelos que diferenciam as entradas do Don Garfo.

Dos muitos pratos a eleger, por entre sabores e tradição, o folhado de aves com castanhas e cogumelos é incontornável (16.90€). Com esmerada apresentação, acompanhado de alface, é um prato cheio de sabor e está entre as preferências dos clientes mais conhecedores da casa. Mas, se quiser fugir às escolhas de ingredientes regionais, pode deliciar-se com o sabor e arte do atum fresco com legumes salteados e molho de miso (17,90€) – uma delícia.

A sobremesa pode variar entre o leite creme torrado e a panacota de chocolate branco com frutos vermelhos, ou arriscar os sabores inventados por Dª Olímpia e atrever-se a concluir uma refeição superior com a panacota de café, com textura leve e sabor voluptuoso.

Com um preço médio por pessoa de cerca de 25€, o Don Garfo tem uma garrafeira interessante e variada e pode optar por vinho a copo. E se o valor da refeição está um pouco acima da média para a Guarda, a boa comida, o glamour e o conforto justificam-no.

Aquariu’s: onde a arte e o vinho se cruzam com a boa comida

Há 26 anos que o restaurante Aquariu’s se afirma como uma das maiores referências da restauração da região das Beiras e Serra da Estrela. Na cidade da Guarda, recomendado pelo Guia Michelin pelo terceiro ano consecutivo, o Aquariu’s tem uma cozinha moderna e uma oferta diversificada.  Quando se entra no restaurante, o olhar fixa-se imediatamente no enorme acervo de garrafas e rótulos de uma riquíssima garrafeira, mas também nas esculturas e pinturas que recheiam a “wine gallery”. Nesta primeira sala podemos fazer uma prova de vinhos ou apenas comprar uma garrafa para levar para casa. Há vinhos de todas as regiões demarcadas, para todos os gostos e palatos, e para todos os bolsos. O difícil será eleger!

Os aquários com os seus peixes coloridos, de onde vem o nome do prestigiado restaurante, são apenas uma das caraterísticas decorativas de uma casa que se reinventa constantemente.

À mesa, e depois de apreciarmos pinturas de artistas plásticos que aqui expõem habitualmente as suas obras, começa a viagem gastronómica harmonizada com vinhos da região, de preferência da Beira Interior – como poucos, neste restaurante a carta de vinhos é imensa e inclui a maioria dos produtores da região. Por isso, de entrada, iniciámos a velada com um vinho branco Vale de Esgueva, da Vermiosa (Figueira de Castelo Rodrigo), bem fresco e frutado, que acompanhou muito bem as entradas variadas (da pasta de atum às bolinhas de farinheira, entre outras iguarias).

Conhecido pelo peixe fresco, não quisemos deixar a fama e o proveito por mãos alheias e elegemos uma Corvina do Atlântico com açorda de peixes (14,50€), que estava confecionada de forma singela com sabor a mar. Mas afinal de contas a carne também é “rei e senhor” deste Aquariu´s. Da ementa já constaram o bisonte e até crocodilo, mas há mesa degustámos o novo Taco de Avestruz com batata confitada, ragu de cogumelos e molho de laranja com amêndoa (15,90€), numa perfeita sinfonia de sabores devidamente regado com o discreto, mas bem estruturado, tinto Monte Barbo Reserva 2013 – uma agradável surpresa do sul da Beira Interior. Outra das escolhas garantidas do cardápio são o Tornedó com Queijo da Serra (15,90€) ou os Nacos de Vitela Jarmelista (13,90€), pratos com ingredientes locais e que afirmam sobremaneira a gastronomia regional.

Depois, recomendamos a Pera cozida com Moscatel de Favaios com gelado de limão, numa telha de amêndoa. E prove o Queijo da Quinta do Pisão, de Santana d’Azinha, com Marmelada. Os ingredientes para mais de um quarto de século de afirmação e sucesso deste restaurante passam pela mestria de Jorge Silva, o gerente, na escolha dos melhores produtos e na constante preocupação em promover o equilíbrio entre a tradição gastronómica e a cozinha moderna, combinados com um serviço elegante que permitem a conclusão de que no Aquariu’s “bebe-se bem e come-se ainda melhor!”.